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Monsanto acusada de ecocídio e julgada em tribunal popular em Haia

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O glifosato está no centro do debate. Herbicida cancerígeno é dos mais comercializados no mundo. Os juízes vão ouvir vítimas. Monsanto foi chamada, mas recusou estar presente.

É um tribunal como os outros. Só não tem força de lei. Tjerk Dalhuisen é o responsável pela comunicação do Tribunal Monsanto e explica à TSF: “Temos cinco juízes de renome internacional, temos testemunhas, vítimas e especialistas. Também convidámos a Monsanto, mas não aceitou vir. Os juízes vão ouvir as vítimas e formar uma opinião”.

Funciona em Haia, sede do Tribunal Penal Internacional, e tem um orçamento de 400 mil euros, provenientes da recolha de donativos. “A maioria do trabalho é feita por voluntários e o dinheiro recolhido vai sobretudo para o arrendamento do espaço onde funcionamos, e para pagar os voos e os hotéis para os juízes, as testemunhas e as vítimas e os advogados”, adianta Tjerk.

As vítimas vão ser ouvidas sobre o efeito do glifosato, o herbicida produzido pela empresa Monsanto, muito usado não só em Portugal como em todo o mundo.

“Está provado cientificamente que é carcinogéneo. Em pessoas e animais expostos a longo prazo há grande probabilidade de desenvolverem cancro”, garante Irina Castro, investigadora da Universidade de Coimbra, especialista em Ecologia e Engenharia Ambiental.

“Em Portugal, temos um grande debate sobre o uso do glifosato no espaço público. Infiltra-se nos lençóis de água, fica presente na nossa comida. Qualquer pessoa pode ser infetada”, acrescenta.

Irina está em Haia a acompanhar as sessões do julgamento. “Este tribunal moral tem a característica de nele estarem envolvidos juízes e advogados que se têm debatido pela tipificação do crime de ecocídio, reivindicação de vários movimentos a nível global”, diz Irina.

É a primeira vez que há um julgamento sobre um ecocídio, mas a ideia de tribunal moral não é nova. O tribunal Russell para a Palestina ou o Tribunal latino-americano da água eram também tribunais ético-populares, que têm consequências de denúncia”.

O objetivo é que o assunto ganhe força suficiente para obrigar os estados a proibir o uso do glifosato.

É essa também a esperança de Tjerk Dalhuisen: “É essa a tradição dos tribunais populares: levantar questões que não estão respondidas pela lei internacional, provocar discussão e, muitas vezes, mudanças efetivas”.

 

Fonte: DN

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16/10/2016
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