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1500 euros por noite para ficar a 30 km de Fátima e do Papa

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Centenário das aparições. Há novos hotéis, mas operadores compraram quartos um ou dois anos antes e esgotaram a capacidade

Fátima já ensaia à pequena escala o que será a esperada enchente de 12 e 13 de maio do próximo ano, no centenário das aparições. No santuário vive-se hoje a última grande peregrinação antes dessa data e da vinda do Papa Francisco, mas à volta a cidade começou a movimentar-se e a mudar desde há muito, sobretudo desde 2015, quando se tornou público que o Papa gostaria de estar presente nas celebrações. Nessa altura, esgotaram os primeiros quartos nos hotéis. A partir daí, começou uma corrida contra o tempo, que hoje já pode custar 1500 euros por noite nas cidades à volta.

Numa pesquisa feita no Booking, ontem à tarde, saltava à vista que as poucas unidades disponíveis se situam a mais de 20, 30 ou 40 km de Fátima, o que não quer dizer que os preços baixem à medida que nos afastamos do santuário. Em Leiria (onde a taxa de ocupação é bastante elevada) merece destaque o preço para 12 de maio de uma suite no Lisotel, a 32 km do santuário e a 7 km de Leiria: 1488 euros; ou também do hostel Most Art Boutique, que tinha apenas um quarto para a noite de 12 de maio do próximo ano, ao preço de 450 euros. À margem dos hotéis e do crescente alojamento local, vive ainda algum negócio paralelo. Em Fátima, correm ofertas informais de quartos que particulares alugam por mil euros a noite, mas ninguém arrisca dar a cara a falar do assunto.

Mas Alexandre Marto, vice-presidente da ACISO – Associação Empresarial Ourém-Fátima, acredita que essa é uma imagem de Fátima que não corresponde à realidade: “O alojamento local está legalizado. Houve um trabalho enorme desde os anos 1980 até hoje, não apenas no esforço pela requalificação dos hotéis, mas também de legalização do alojamento local.” Por isso mesmo acredita que “Fátima deve ser dos destinos mais escrutinados pelas diversas entidades”, ao contrário da ideia que muitas vezes persiste.

“A capacidade hoteleira de Fátima está esgotada para maio de 2017 como está todos os anos”, refere o vice-presidente da ACISO, desvalorizando as notícias “cíclicas” que apontam para duas realidades: a lotação das cerca de seis mil camas nos hotéis da cidade e a especulação que cresce à volta do arredamento de um quarto das unidades hoteleiras.

Quando se refere ao preço dos quartos por noite, Alexandre Marto sublinha estarmos numa terra mediática que “tem os preços mais baixos do país. A rendibilidade para as unidades hoteleiras é bastante limitada”, considera. Quando aponta esse “esforço constante, nos últimos anos, por parte dos hoteleiros locais, em quererem atualizar-se e requalificar os hotéis”, o vice-presidente da ACISO acredita que “isso deve-se em parte à alteração do perfil do cliente, que é cada vez mais exigente, cada vez mais internacional”.

Basta olhar para os números: 70% dos hóspedes que ocupam os hotéis são estrangeiros, de modo que não é difícil perceber essa relação forte, quase estratégica, que existe entre hoteleiros e operadores turísticos. Alexandre Marto é um dos primeiros, também, e lembra que, nessa qualidade, “há mais de um ano que falámos com os operadores”. São eles que compram a um ou dois anos de distância a esmagadora maioria dos quartos, e por isso sobra uma ínfima percentagem para o cidadão comum.

Concorrência nas residências

Sete anos separam a visita de um Papa a Fátima, muito tempo na vida de uma cidade que respira negócio. É esse, aliás, o tempo que medeia o programa de comemorações, e o princípio de uma revolução comercial na terra. O exemplo paradigmático que o DN contou esta semana, a propósito do hotel que esgotou a lotação mesmo antes de estar pronto (o Áurea só será inaugurado no início de maio de 2017, dias antes da peregrinação), é replicado noutras áreas, como as residências para seniores, um filão com muita concorrência. Há várias em construção e já com pré-inscrições.

Isso mesmo confirmava nesta semana Mónica Vieira, diretora técnica da Qualisenior – Residência Geriátrica. “Esperamos abrir em dezembro ou no início de janeiro”, afirmou. O vice-presidente da ACISO sustenta que os muitos investimentos que estão a ser feitos em Fátima “não são apenas para 2017, mas para 20 ou 30 anos”. Ao mesmo tempo, o presidente da associação, Domingos Neves, fala de uma “dinâmica crescente, que reforça a captação de novos investimentos e de uma diversidade de negócios, por sua vez fatores de atração de públicos residentes nos concelhos limítrofes”. “Acredito que esta dinâmica será imparável nos próximos anos”, frisa o proprietário da Clinifátima, uma unidade de saúde privada que já fez o percurso inverso – cresceu para Leiria.

Preparar o pós 2017

Na verdade, a preocupação das diversas entidades envolvidas na comemoração do centenário (em parceria com o Santuário de Fátima) é o dia seguinte, como fica claro na conversa com o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca. “Há muita coisa que está a mudar, há muito. Mas obras de qualificação, de modernização e de valorização continuarão a ser desenvolvidas todos os dias”, sublinha o autarca.

O último ano foi pródigo na abertura de bares e restaurantes que conferem a Fátima um registo cosmopolita, como A Pregaria da Iria, o Combo ou as tabernas que nasceram nas duas principais avenidas da cidade. Em breve chega também o McDonald”s. A tradição ainda é o que era, mas o Tia Alice já não é a única marca da terra.

Fonte. DN

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13/10/2016
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