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Advogado de Neto de Moura diz que feministas são umas “lambedoras…”

Num comentário a um post da mulher, que criticava a associação “Capazes”, Ricardo Serrano Vieira decidiu exprimir-se com toda a liberdade. À SÁBADO diz que o comentário tem que ser enquadrado num contexto.

Como se não bastassem as posições do juiz desembargador em dois acórdãos sobre violência doméstica, o seu advogado, Ricardo Serrano Vieira, aparenta ter também um preconceito com os movimentos feministas, nomeadamente a associação “Capazes”, que está a promover uma petição pública contra as decisões do juiz desembargador.

Tudo aconteceu em Abril deste ano, quando a mulher de Ricardo Serrano Vieira colocou um post no seu facebook, criticando a associação “Capazes” devido a uma campanha contra um anúncio da marca de preservativos “Control”, que continha a legenda: “Esta é a posição que mais agrada aos homens e nada mais é do que a mulher ficar de quatro, dando total poder ao homem sobre ela”. As “Capazes” protestaram, a marca retirou o anúncio e a associação congratulou-se: “Esta versão de submissão sexual da mulher é desactualizada e corresponde a um estereótipo falso”.

Filipa Pissarra, mulher de Ricardo Serrano Vieira, no dia 1 de Abril deste ano, escreveu um post: “Aquelas que se afirmam defensoras dos direitos das mulheres, estão apenas preocupadas com a campanha de uma marca de preservativos”. No mesmo dia, o advogado comentou: “Lambedoras de c… dá nisto”, o que mereceu um emoji sorridente por parte da mulher, tal como esta quinta-feira a SÁBADO confirmou no perfil de Filipa Pissarra, uma vez que o post está com o estado de “Público”.

Ainda no dia 1 de Abril deste ano, o advogado, no seu perfil e também num post “público”, decidiu entrar na onda: “Alguém tem control? Afinal são só incapazes”. Em declarações à SÁBADO, Ricardo Serrano Vieira negou ter preconceito em relação aos movimentos feministas. “O comentário tem um enquadramento e não pode ser desvirtuado. A interpretação a dar-lhe é que quem defende os direitos das mulheres – com os quais eu concordo – e quem se roga na defesa desses direitos, deve agir em conformidade”

Esta quarta-feira, em declarações ao Correio da Manhã, Ricardo Serrano Vieira adiantou que Neto de Moura, o juiz do Tribunal da Relação do Porto que tem sido alvo de duras críticas por “desculpar” a violência doméstica com o adultério da vítima, “está sereno”.

Ricardo Serrano Vieira, advogado do magistrado que vai ser ouvido sexta-feira no Supremo Tribunal de Justiça, afirmou ao CM que “o acórdão em causa é irrepreensível do ponto de vista jurídico”. A audição vai decorrer amanhã, sexta-feira, e surge depois de, na semana passada, o Conselho Superior de Magistratura (CSM) ter aberto um inquérito para avaliar os acórdãos da autoria do juiz. O causídico garantiu estar confiante de que a situação vai ser esclarecida. “Reconduz-se a aplicação da lei ao caso em concreto”, explicou.

No acórdão, datado de 11 de Outubro, Neto de Moura invoca a Bíblia, o Código Penal de 1886 e até civilizações que punem o adultério com pena de morte para desvalorizar a violência cometida contra aquela vítima. Já na quinta-feira passada, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça reagiu à polémica. António Henriques Gaspar disse que “crenças pessoais e estados de alma não são prestáveis como argumentos”.

Fonte: Sabado


02/11/2017
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