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Cáritas de Lisboa tem 2,4 milhões de euros no banco

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Direcção da instituição justifica almofada financeira com necessidade de acautelar o agravamento da crise económica e social. Ministério Público instaurou inquérito com base em denúncia contra dirigentes.

A instituição criada pela igreja católica para ajudar os pobres da Diocese de Lisboa tem, pelo menos há uma década, mais de 2,1 milhões de euros em depósitos bancários, aos quais acrescem cerca de 320 mil euros investidos em obrigações. A Cáritas Diocesana de Lisboa (CDL) possui ainda imóveis contabilizados em quase 1,4 milhões de euros e averbou um lucro líquido de 119 mil euros em 2014 (131.007 em 2013). Na ajuda aos pobres gastou nesse ano 147 mil euros, dos quais apenas 11.314 correspondem a ajudas directas, enquanto os donativos particulares recebidos rondaram os 325 mil euros.

Instrumento privilegiado da acção sociocaritativa da Diocese de Lisboa, a CDL — uma das 20 organizações do género, uma por cada diocese, filiadas na Cáritas Portuguesa — define-se como “um organismo oficial da Igreja”, que “tem como missão fundamental intervir na ajuda a pessoas que se encontrem em situações graves de pobreza e exclusão social”. E é com esse objectivo que a instituição, sob escrutínio judicial desde o mês passado, altura em que o Ministério Público instaurou um inquérito ao seu funcionamento, apela há anos à generosidade dos cidadãos. Feito o donativo, bem pode, porém, o benfeitor tentar perceber o que é que a CDL faz com o fruto dos peditórios, ofertório, doações e legados que recebe regularmente.

Se se procurar resposta a esta questão nas contas de 2014, as primeiras que a instituição divulgou no seu site, em meados de 2016 e após muitos pedidos do PÚBLICO, pouco ou nada se conclui. Até porque só foram publicados o “Balanço” e a “Demonstração dos resultados por natureza”, que preenchem duas das 36 páginas do documento. No essencial fica-se aí a saber que a Cáritas de Lisboa tem 2.091.806 euros em caixa e depósitos bancários, aplicou 321.824 euros em investimentos financeiros e obteve um resultado líquido de 119.360 euros. Os “activos fixos tangíveis”, que correspondem fundamentalmente ao valor de aquisição dos imóveis de que é proprietária, deduzido das depreciações acumuladas, ascendem, por seu lado, a 1.381.139 euros.

No entanto, o documento completo das Demonstrações Financeiras daquele ano — 36 páginas que o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) forneceu ao PÚBLICO no Verão passado por ordem judicial — já ajuda a perceber para onde vai o dinheiro dos benfeitores.

O que se pretende, diz a CDL, é “manter os valores patrimoniais actualizados”, uma vez que “continuam muito incertas as expectativas futuras”. É “porventura esperado o aumento de solicitações [dos pobres] a par de um abaixamento de doações”.

É lá que se descodificam e desagregam os valores de 361.557 euros e de 147.439 euros, relativos, respectivamente, às rubricas “Outros rendimentos e ganhos” e “Outros gastos e perdas”, constantes das duas páginas publicadas pela CDL. Ou seja: o primeiro daqueles montantes corresponde à soma dos valores oferecidos pelos benfeitores no peditório e no ofertório anuais, da percentagem do IRS que os contribuintes podem consignar às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e de outros donativos, no total de 324.485 euros, com o ganho de 37.072 obtido na venda de obrigações. Já os 147.439 euros dos “Outros gastos e perdas”, representam sobretudo o somatório dos donativos concedidos pela CDL a outras instituições com os concedidos a particulares — no fundo, o dinheiro directamente utilizado na ajuda aos pobres.

Mas mesmo neste documento fornecido pelo MTSSS, os diferentes apoios privados recebidos pela instituição e os apoios por ela concedidos não são totalmente discriminados. Diz-se apenas que, no primeiro caso, o peditório rendeu 63.205 euros, o ofertório 45.000 e a consignação do IRS 52.384. No que toca aos apoios concedidos refere-se que os “donativos a instituições” aumentaram 37.102 euros, “nomeadamente com a Ajuda ao Povo do Iraque e à Casa da Alegria”, e que houve um aumento de 17.715 euros nos “donativos a particulares” e “reduções de apoios pecuniários” no valor 6239 euros.

 

Números não batem certo…

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09/03/2017
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