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Casal de cegos e filho menor ‘vivem’ em parque de campismo de Lisboa após despejo


Preço das casas em Lisboa leva família a tentar encontrar casa nos concelhos vizinhos de Lisboa.

 

Desde que foram despejados, um casal de deficientes visuais vive, com o filho menor, no Parque de Campismo de Monsanto. A família procura alternativas às casas caras de Lisboa, tanto na cidade como em concelhos vizinhos.

Á Lusa, citada pelo CM, Manuela Silva conta que “É tudo à volta de 600, 650, 700, 750 euros. Fora de Lisboa também tenho procurado, o problema é que os preços são todos iguais”. A Proteção Civil alojou a família provisoriamente num “bungalow”, depois de ter sido despejada de uma casa onde vivia em subaluguer durante os últimos 18 anos.

Com 43 anos, Manuela diz que a procura não tem sido fácil e que tem procurado em locais como Amadora, Almada, Barreiro ou Sintra. O alojamento no parque de campismo tem sido entretanto pago pela Junta de Freguesia da Ajuda e pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Lamenta que quando “aparece uma pessoa com um ordenado maior do que o nosso, vão logo dar [a casa] a essa pessoa, temos de ser realistas”.

O rendimento de Manuela, funcionária do Centro de Saúde da Graça e do marido, atualmente desempregado, perfazem um orçamento mensal de mil euros, o que os coloque impossibilitados de pedir habitação social ou municipal: “disseram que, com os rendimentos que tenho, não dá para a candidatura da habitação social, que é só para quem tem os rendimentos mínimos”, contou.

Ou seja, se por um lado não tem direito a uma casa social, as casas nas zonas perto de Lisboa estão a um preço tão alto que é impossível a compra de uma. Estão num “limbo”, como diz o Presidente da Junta de: “Com o rendimento que têm, não conseguem concorrer a habitação municipal, mas também não têm capacidade para pagar o que o mercado lhes pede”.

A família não tem ainda quem sirva de fiador, e a junta, embora queira ajudar, não pode desempenhar esse papel por esta proibida por lei.

Contactada pela Lusa, a Santa Casa da Misericórdia respondeu que está a “trabalhar com o agregado na procura ativa de habitação”, em conjunto com a Junta, o departamento de Habitação da CML, a Escola Básica do 2.º e 3.º ciclos Francisco Arruda e a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Lisboa Ocidental.

Esperemos que esta família já passe um Natal numa casa digna desse nome.


02/12/2018
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