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Computador com dados da investigação à Celtejo roubado a inspetor do ambiente

Dispositivo foi furtado do carro enquanto inspetor jantava num restaurante na Mealhada

A investigação ao foco de poluição que há um mês cobriu o Tejo com um manto de espuma continua a enfrentar contratempos. Desta vez foi roubado um computador com a base de dados recolhida pela Inspeção-Geral do Ambiente (Igamaot) na Celtejo.

O assalto ocorreu a 3 de fevereiro à porta do restaurante “Pedro dos Leitões” na Mealhada, enquanto um inspetor do ambiente jantava. Contactada pelo Expresso, a Igamaot recusou fazer qualquer comentário sobre o sucedido.

Pelo que o Expresso apurou, as autoridades policiais descartaram a hipótese de tentativa de boicote à investigação e consideraram tratar-se de “mais um assalto, como muitos outros que acontecem naquele local”.

Câmaras de vigilância colocadas no exterior do restaurante detetaram que o furto ocorreu em dois tempos: um primeiro em que os assaltantes se acercam do carro para ver o que lá existia à vista; e um segundo, cerca de 20 minutos depois, em que abriram a viatura e retiram de lá a mochila com o computador que se encontrava no banco.

A informação contida no dispositivo não foi perdida porque tinha sido descarregada dois dias antes na sede da Igamaot, em Lisboa. O material informático recolhido continua a ser um dos elementos que está sob investigação e salvaguardado pelo segredo de justiça.

É a análise deste material que permitirá verificar se houve ou não uma descarga excessiva ou um acidente na ETAR industrial da Celtejo e se esta empresa estava a cumprir a ordem de reduzir as descargas para metade imposta a 27 de janeiro.

Há cerca de três semanas, o inspetor-geral do Ambiente, Nuno Banza, sublinhou que para perceber o que originou o manto de espuma “o enfoque está na investigação policial”. E esta passa pela análise pericial da base de dados em causa.

 

SUCESSÃO DE CONTRARIEDADES

Este foi mais um percalço no processo de averiguações em torno do crime de poluição ocorrido no Tejo a 24 de Janeiro. Sucede ao episódio classificado como “inusitado” pelo Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, relacionado com as dificuldades na recolha de amostras para análise junto ao ponto de chegada do efluente da ETAR da Celtejo.

Recorde-se que só à quarta tentativa, e na presença de inspetores ambientais durante 24 horas no local, é que as amostras foram recolhidas com sucesso. Até agora não se conhecem os resultados destas análises.

A Celtejo é considerada a principal suspeita da poluição detetada junto ao açude de Abrantes a 24 de janeiro. E segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) esta empresa é responsável por 90% das descargas de celulose no rio Tejo na zona de Vila Velha de Ródão.

As análises efetuadas pela APA e pelo Instituto Superior de Agronomia às águas do rio, na sequência do crime ambiental que conduziu ao manto de espuma junto ao açude de Abrantes, permitiram detetar níveis de celulose cinco mil vezes acima do normal. Estes dados levaram o Ministério do Ambiente a “não ter dúvidas de que a poluição registada teve origem na indústria da celulose”, dado o passivo ambiental existente e uma eventual descarga recente fora da licença.

Não é a primeira vez que um responsável do Ministério do Ambiente é assaltado enquanto vai comer leitão.

Há cerca de um ano, durante uma paragem para jantar no “Rui dos Leitões”, em Coimbra, a viatura oficial em que seguia o secretário de Estado do Ambiente também foi alvo de furto.

Na mala do carro encontravam-se duas pastas com o computador pessoal do governante e do seu adjunto, dois tablets, vários discos rígidos externos e a carteira do assessor. Só alguns dos documentos acabaram por aparecer no dia seguinte em Matosinhos.

Na altura, o secretário de Estado Carlos Martins lamentou terem-lhe levado “todo o trabalho de uma vida”. No computador tinha a tese de doutoramento e mais de 40 mil fotografias e apresentações em powerpoint.

Fonte: Expresso


25/02/2018
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