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Ministra diz que Força Aérea ainda não tem capacidade para combater fogos

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A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, apoia a possibilidade de a Força Aérea vir a ter capacidade para fazer o combate a incêndios.

Na sexta-feira, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, disse na RTP que “é inevitável que a Força Aérea venha a ter capacidade de combater fogos florestais”, lembrando que, de momento, este ramo das Forças Armadas não tem nem aviões nem helicópteros com capacidade para o fazer. Este sábado, numa visita ao comando de operações da Protecção Civil em Castelo de Paiva, um dos municípios atingidos por fogos na última semana, Constança Urbano de Sousa referiu que “neste momento, as Forças Armadas não têm qualquer tipo de capacidade para combater fogos”.

“Os seus pilotos não sabem combater fogos, porque pilotar um avião de combate a incêndios não é o mesmo que pilotar um C130 ou um F16. Eles precisam de ter formação”, preconizou. Para a governante, “todo esse trabalho [formação] deverá ser feito” e, com base no que declarou o ministro da Defesa, passará por “equipar alguns dos meios aéreos portugueses com equipamentos próprios para que possam actuar em caso de necessidade”.

Constança Urbano de Sousa realçou, contudo, que isso não irá substituir a estratégia das entidades envolvidas na Protecção Civil, já que a Força Aérea continuará concentrada em actividades de Defesa.

A ministra manifestou-se ainda a favor de uma “utilização comunitária” dos terrenos florestais que, estando ao abandono por parte de proprietários privados, prejudicam o combate aos incêndios. “Temos também que rever o nosso sistema de propriedade, porque, se as pessoas abandonam as suas terras e não têm interesse nelas, deveremos encontrar uma solução para haver uma utilização comunitária [desses terrenos]”, afirmou aos jornalistas Constança Urbano de Sousa.

O semanário Expresso avança, na edição deste sábado, que o Governo tem a intenção de passar a posse de terras abandonadas para as autarquias, que ficarão responsáveis pela sua gestão e exploração. A floresta portuguesa “está muito repartida em pequenos pedaços que são de propriedade privada”, constatou a governante, qualificando como “muito útil” a criação de um cadastro florestal que ajude a identificar terras abandonadas.

O presidente da Câmara de Castelo de Paiva, Gonçalo Paiva, ainda não tem contabilizada a área ardida durante os fogos desta semana nesse concelho, mas admite que se terá perdido 70% da floresta da freguesia de Real, a principal mancha verde do concelho, apoia igualmente a decisão de avançar com o cadastro dessas propriedades.

“Esse cadastro é muito importante. Já tive indicação de que o Governo está apostado em fazer esse trabalho de levantamento de toda a propriedade e seus responsáveis, porque assim será muito mais fácil identificá-los”, comentou o autarca, que não vê com maus olhos, nos casos de solução mais simples, que as terras abandonadas sejam entregues às autarquias – muito embora reconhecendo que “há sempre situações que demoram a ser resolvidas no seio familiar, nomeadamente ao nível das heranças e partilhas”.

 

Fonte: Público

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14/08/2016
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