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Motoristas que fazem distribuição para a Ikea vivem meses nos camiões

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Empresas contratadas pela gigante sueca não garantem condições mínimas de trabalho aos funcionários

Muitos dos camionistas que distribuem produtos da Ikea na Europa vivem durante meses dentro dos veículos, sem acesso a água ou casas de banho. A falta de condições relaciona-se com a remuneração: grande parte destes trabalhadores vem da Europa do leste e recebe um salário equivalente ao que teria no país de origem, mesmo que o emprego exija viagens por toda a Europa, por países com custos de vida superiores.

Segundo uma investigação da BBC, há camionistas que recebem menos de três libras por hora de trabalho, o equivalente a cerca de 3,40 euros. Emilian, da Roménia, diz que se sente “como um prisioneiro” dentro do camião. O romeno passa até quatro meses na estrada, a distribuir produtos da Ikea por vários países da Europa ocidental. Durante esse período, dorme, come e toma banho dentro do camião, porque o salário não chega para passar algumas noites hospedado nos países por onde vai passando.

Recentemente, Emilian esteve na Dinamarca, onde um camionista ganha cerca de 2200 euros. O romeno ganha 477 euros, pois foi contratado por uma subsidiária eslovaca de uma empresa de transportes norueguesa. Apesar de nunca estar na Eslováquia, Emilian recebe como se lá trabalhasse.

Um camionista da Moldávia, por exemplo, recebe em média 150 euros.

As normas da União Europeia referem que um condutor que esteja temporariamente fora do país de origem deverá ter às condições de trabalho do país onde se encontra a trabalhar. Contudo, as empresas a operar no sector têm conseguido contornar esta norma.

A lei diz ainda que os camionistas devem descansar 45 horas por semana, sem conduzir pesados em trabalho.

O Ikea não é a única grande marca a recorrer a empresas de transporte de países do leste.

“Não é bom para os condutores, não é seguro para os outros na estrada. Posso causar um acidente”, disse Emilian à BBC.

O Ikea já disse lamentar a situação, depois de ter tido conhecimento dos testemunhos dos condutores, garantindo que leva o assunto muito a sério. A empresa sueca, que é detida por uma fundação com sede na Holanda, garantiu que impõe “exigências rigorosas” às transportadoras no que toca aos salários dos trabalhadores, às condições de trabalho e ao cumprimento da lei.

Já Emilian, o condutor romeno, pede aos responsáveis da empresa que vivam com ele durante uma semana. “Comam o que eu como. Vejam o que está a acontecer com os vossos próprios olhos”, disse o condutor.

Fonte: DN

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15/03/2017
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