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A outra carta a Mariana Mortágua (esta não é “viral”, esta os media não partilham… porque será?)

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Hugo Minhava da Cunha não é conhecido. Também não é figura pública. É apenas um cidadão, que comprou roupa na feira porque era mais barato e que sofreu para crescer.

Ele fez uma carta aberta a Mariana Mortágua. Mas esta não está a ser “viral”, como os media dizem, porque não é uma carta bonita….

Aqui fica a carta do Hugo:

“Carta aberta a Mariana Mortágua:

Cara Mariana, meu nome é Hugo, sou um cidadão comum, um dos que anda a acumular fortunas.
Trabalho desde os 14 anos, faço descontos desde os 17, e se me perguntares o que acumulei até hoje, eu te digo mesmo, acumulei, ZERO.
Trabalho, não roubo, não dependo de ninguém, actualmente sou casado, tenho filhos, o que deixarei a eles?, nem eu sei.
Aprendi desde cedo a sobreviver sozinho, aos 6 anos ia para a Escola sozinho a pé, não ia de rabo tremido montado no carro do pai ou mãe. Andei numa escola pública, não privada e toda a minha vida assim o foi, estive mesmo numa escola onde buracos no tecto me faziam ter aulas com chapéu-de-chuva aberto por vezes e um frio de rachar. Ar condicionado? Que era isso? Aprendi a ser rijo, não mole e fraco.

Com 7 e 8 anos, já cuidava sozinho de minha irmã quando levava minha mãe ao hospital e lhe salvava vida, coisa que nunca me agradeceu e até mostrou que nem merecia.
Não foi pai ou mãe que me ensinaram a sobreviver, foi uma avó que me ensinou algo importante, ela sempre disse que não se pode confiar no Governo nem em bancos, que eles só nos roubam.
Mariana, eu pago impostos, e até hoje não sei onde eles são aplicados, podes-me responder a isto?
Sim, pagar para saúde, e quando preciso de um médico, deixa que te diga, desde pequeno até agora, em 36 anos de vida, médico de centro de saúde só tenho agora um a partir dos meus 34 anos, o outro, nunca o conheci, tinha de ir ao de urgência e esperar, hospitais, não sou atendido como tu no privado, espero horas a fio e verifico se não sou esquecido como muitas vezes aconteceu. Com isto, vejo muitos pacientes a morrer esquecidos nas macas dos hospitais.
Pagar para educação? Educação tive, e sempre paguei por ela, ainda hoje pago a de meus filhos, sim não me importo de dizer que tive ajudas de sogros, porém o que se paga em impostos serve também para encher os bolsos das editoras onde têm vossos amigos, educação gratuita?, onde mesmo? Mariana, não sou rico, nunca o fui, jamais acumulei fortunas, verdade te diga. Minha irmã usou na escola, livros que usei anos anteriores, sim, antes isto era possível, hoje as editoras mudam os livros todos os anos com apoio do Estado porque estas têm de encher os bolsos. Meus filhos andam numa escola pública, não privada, porque as “ditas fortunas que acumulei” não dão para pagar tal ensino, onde por mês teria de empregar todo meu salário. Sim, ganho um pouco mais apenas que o mínimo nacional.

Não tenho vergonha de te dizer que usei roupas usadas que me davam em segunda mão, que comprei roupa das feiras, contrafeito?, no meu tempo chamava-se ir ao barato e nos desenrascar-mos. Sabes lá tu o que isso é…
Mariana, sabes porque não consigo acumular fortunas? Porque todos meses vejo esta mesma “fortuna” ser empregue nos vossos salários de deputados, que supostamente deveriam estar a reger o país em democracia e dia para dia o estão a afundar. Democracia, deriva do Grego Demo e Kratos que significa governo do povo, mas na vossa dita democracia, o povo está deveras esquecido e abandonado. Não falo dos ricos, falo mesmo dos pobres, daqueles que nada têm.
Mariana, queres falar daqueles que passaram anos a acumular fortunas? Que tal então falarmos dos nossos reformados que passaram toda a sua vida a labutar, diga-se alguns até mais de 60 anos a trabalhar para agora terem a “fortuna acumulada” de 174€, 200€, 250€, por mês? Falo dos mesmos que todos os meses pagam metade da sua reforma, “uma grande fortuna acumulada”, nos seus medicamentos e para isso deixam de comer, alguns até vivem na rua de tanta fortuna que acumularam.

Sabes Mariana, todos dias acordo para ir trabalhar sempre acreditando que isto serve para dar de comer a meus filhos, por vezes quase nem os vejo, mas dou conta que trabalho para encher teu rabo e o de muitos deputados que dizem viver para proteger os interesses do povo mas vivem é do povo, enchendo vossos bolsos à custa do sangue dos pobres sacrificados que dão a vida pelo país e pagam por medidas de austeridade quando os governantes e os tais, como dizia o nosso caro Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, falo de si, dele, de muitos, as tais elites que não apoiam o país, nunca foram sacrificados como os pobres deste país. É você, o Presidente, os nossos governantes e deputados, as elites maçónicas quem prejudicam gravemente o país, tal qual vampiros que se alimentam do sangue do povo sacrificado.
Sabe, achei piada ao ver as notícias hoje, que cada Português, cada um, deve aos bancos 11250€.
Eu nunca pedi empréstimo, o dinheiro que tiro do banco é aquele para o qual eu trabalhei, já com descontos que nunca vejo serem bem aplicados em prol do desenvolvimento do país que cada dia está mais degradado. Meus filhos nunca pediram empréstimo, não vivem à conta de bancos, por isso pergunto, onde devemos nós tais 11250€ aos bancos? Explica-me como se fosse muito burro.
E graças a ti e a esta nova manobra do Governo de quererem quebra de sigilo bancário para pessoas com saldo superior a 50 mil euros, entendo agora o novo esquema do Governo.

Jovens procuram casa, pedem empréstimo, ao receberem montante na conta, o saldo fica logo acima dos 50 mil euros, falando das casas mais baratas no mercado na ordem dos 43 mil por ais e já contando que todos pedem ajudas de custo para assinatura e remodelações, sendo assim ficam logo assinalados e com isto o Governo mente dizendo nos média que o crescimento económico subiu de tal forma que o número de pessoas com saldos acima dos 50 mil euros no banco subiram. O mesmo esquema do Censos anteriormente que serviu para manipular muita informação falsa.
Trabalhei toda a minha vida, baixa?, só tive duas vezes, tenho sonhos, mas o Governo faz com que todos eles caiam por terra, ter uma casa, ver meus filhos terem sua casa um dia, etc, porém, não sei o futuro, ao que sei até agora é as vezes que já pensei em emigrar, talvez aí acumulasse algum dinheiro. Não me importaria de limpar pias para ter uma vida digna visto que no nosso país, somos forçados a viver uma vida totalmente indigna em prol das elites. Desta forma, convido-a a vir viver uns dias com uma dita destas pessoas que andaram a vida toda a acumular dinheiro, autênticas fortunas e passe a noite com elas na rua onde dormem ou nas modestas casas a caírem de podres de tão degradadas que estão ou mesmo em casa de algumas famílias e ver como elas todos meses têm de sobreviver com a “merda” literal de salários que recebem a trabalhar em prol dos salários milionários que deputados como você entre outros recebem.

Eu gostava de saber o que já fez em prol deste país para receber o que recebe como salário e um dia que saia terá uma subvenção vitalícia milionária quando pessoas agora têm de trabalhar quase até morrer para receberem uma ninharia de caca para sobreviverem os últimos dias da sua vida. De lembrar que isto é tão real que uma professora em fase terminal foi obrigada a dar aulas até ao fim. É este o país que temos, gerido por pessoas como você, entre outros, com seu fraco pensar e que pensam apenas no seu bem estar.
Sabe, eu desloco-me todos dias para meu local de trabalho, em transportes são duas horas, não tenho carro nem motorista, e jamais, meu patrão me paga um salário à parte para gastos com casa, falo de um famoso subsídio que alguns colegas seus até se serviram disso para pagar a renda dos empréstimos de casas que tinham no Algarve para férias. Como vê, meu dinheiro acumulado é muito, de tal forma, que pago todos meses 60 euros de passe para andar em camionetas com bancos partidos, onde vou em pé, onde levo com fumo do autocarro porque ele está todo furado e a cair de podre, etc, ainda tenho de apanhar um barco, não é um iate privado, é um barco que partilho com centenas de pessoas todos dias, tendo de levar com senhoras a pintar unhas no dito, uns que não sabem o que é água, etc, e depois ainda os autocarros da Carris, que dizem na sua publicidade para os apanhar que nunca nos atrasamos, porém estão sempre atrasados e a falhar constantemente.

Quer investir, produzir e mostrar o que realmente é trabalho já que fala tanto nisso? Siga meu exemplo. Saia da cadeira e faça como eu, levante o rabo e trabalhe como eu faço ou fiz, apanhe peixe podre e restos na Doca Pesca como eu fiz e veja o que são pescadores a labutar como eu vi, ia perdendo um pé lá, (rebentou-se uma agulheta de uma máquina de pressão de água com caldeira e levei com água no pé a 150 graus que infectou e me deixou mal, mesmo assim trabalhei com dores), levante-se e limpe sarjetas, como lá também fazia, não perde o braço, não é humilhante mas digno, faça como eu e carregue baldes de cimento ou canos pesados às costas que de tão pesados nos vergam ao ponto de pareceremos o corcunda de Notre Dame, faça como eu, que fez voluntariado e ajudou pobres na rua a manterem-se quentes ou mesmo ajude no Banco Alimentar onde depois vi alguns doutores como você a encherem seus carros e vi ajuda ser rejeitada a moradores do Casal Ventoso e foi isso que me fez mudar e deixar de fazer voluntariado para Banco Alimentar, entre muitas outras coisas. Trabalho sério não é humilhante, nem todos nascemos em berços de ouro nem temos “amigos” que nos metam em lugares bem posicionados, eu trabalho desde cedo, sem vergonha de o dizer. Vi meu pai abandonar-me com minha mãe e irmã e vi mãe doente ter de deixar de trabalhar mais dia, menos dia e com a idade de 14 anos, ainda quando devia estar a estudar, vi-me a estudar à noite e trabalhar de dia. (Nunca me agradeceram o esforço de sacríficio). Vergonha? Não! Vergonha teria se roubasse, mas se calhar, se roubasse, teria mais privilégios. Sim, porque há quem ande a roubar bancos e a viver da falência destes e andam por aí sem pudores.
Sacrifícios? Quando falam de fazer sacrifícios, pergunto quais os feitos por vós?
Quando vais lá fora, usar de tuas palavras caras tiradas dos dicionários da Porto Editora, e falas tão bem que todos aplaudem de pé, antes disso, gostaria de que me dissesses o quanto já fizeste por este país para que mereças o cargo que tens.
Para falares em nome do povo, tens de saber viver como ele para o descrever e isso, tu não o sabes, não vives como nós, não conheces a palavra SACRIFÍCIO, não és o povo.
O meu nome é Hugo, sou um cidadão português, não tenho vergonha do meu país, tenho sim vergonha de meu dinheiro que paga os impostos e que me dizem acumular, servir para encher os bolsos a gatunos como você e outros no Poder. A meu ver, vocês merecem nada, nada fizeram nem fazem pelo país. Dizer que o país está a crescer em investimentos é o mesmo que dizer, vocês estão a lucrar com os negócios obscuros que fazem.
Tenho vergonha de vocês.

Hugo Minhava da Cunha”

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20/09/2016
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